Alta do petróleo impulsiona economia brasileira

Nesta quarta-feira (11), os contratos futuros do petróleo tipo Brent encerraram o dia com forte valorização, atingindo US$ 69,77 por barril, o maior patamar registrado nos últimos dois meses. O avanço de 4,34% nos preços foi motivado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que tradicionalmente impacta a cotação da commodity no mercado […]

FPSO P-74, unidade flutuante de produção da Petrobras - Foto: Andre Ribeiro/Agência Petrobras

Nesta quarta-feira (11), os contratos futuros do petróleo tipo Brent encerraram o dia com forte valorização, atingindo US$ 69,77 por barril, o maior patamar registrado nos últimos dois meses. O avanço de 4,34% nos preços foi motivado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que tradicionalmente impacta a cotação da commodity no mercado internacional.

Exportações impulsionadas e alívio fiscal

Segundo João Abdouni, analista da Levante Inside Corp., o movimento de alta no preço do petróleo representa uma oportunidade econômica significativa para o Brasil. Ele explica que, por ser um país exportador líquido da commodity — ou seja, que vende mais petróleo do que consome —, a elevação nos preços internacionais contribui positivamente para diversos indicadores macroeconômicos.

“A alta do petróleo é boa para a economia brasileira, uma vez que somos net exportadores. Isso também gera aumento da arrecadação e reduz a pressão nas contas públicas”, afirmou Abdouni.

O especialista destaca que o cenário atual beneficia não apenas a balança comercial, mas também a receita do governo federal, por meio do aumento na arrecadação de royalties, participações especiais e tributos sobre a produção e exportação do petróleo.

Petróleo liderou exportações em 2024

Dados do governo mostram que, em 2024, o petróleo foi o principal item da pauta de exportações brasileiras, superando produtos agrícolas como a soja. Ao todo, o Brasil exportou US$ 44,8 bilhões em petróleo no ano passado, valor que representou 13,3% de toda a balança comercial nacional. Em relação ao ano anterior, o crescimento nas exportações da commodity foi de 5%.

Esse desempenho reforça o peso do petróleo na economia brasileira, tornando o país especialmente sensível às oscilações do mercado internacional de energia. Com a cotação do barril se aproximando de US$ 70, a expectativa é de que os efeitos positivos se reflitam em indicadores fiscais e comerciais nos próximos meses.

Tensão no Oriente Médio impacta mercado

O fator geopolítico foi determinante para a alta desta quarta-feira. Especulações sobre a evacuação da embaixada dos Estados Unidos no Iraque, somadas às ameaças emitidas pelo Irã, elevaram a percepção de risco entre investidores e aumentaram a procura por ativos considerados mais seguros, como o petróleo.

Conflitos na região do Oriente Médio tradicionalmente afetam a produção e o transporte da commodity, pressionando os preços para cima. Com a possibilidade de interrupções no fornecimento global, os mercados reagem de forma preventiva, ajustando as cotações diante do cenário de instabilidade.

Preço mais realista frente à demanda global

Para João Abdouni, a faixa atual de preços está mais alinhada com os fundamentos do mercado do que em momentos anteriores. Segundo ele, os valores entre US$ 68 e US$ 70 por barril refletem de forma mais adequada a atual demanda global por petróleo.

“Os preços por volta dos US$ 69, na verdade, podem estar mais alinhados à demanda do que se analisou em períodos anteriores. Commodities usualmente pegam tendência; em contrapartida, preços entre US$ 68 a US$ 70 são ponto de equilíbrio para o Brent”, concluiu.

A avaliação é de que o movimento recente não representa apenas uma oscilação pontual ligada à tensão geopolítica, mas pode indicar uma trajetória de consolidação de preços em níveis sustentáveis para países produtores.

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