Estados Unidos enviam seis bombardeiros ao Pacífico capazes de atacar fortaleza nuclear no Irã

Neste sábado (22), seis bombardeiros furtivos B-2 dos Estados Unidos sobrevoaram o Oceano Pacífico em direção à Base Naval de Guam, conforme dados públicos de tráfego aéreo. As aeronaves são as únicas capazes de transportar bombas de quase 14 toneladas, que segundo Israel teriam potencial para destruir a instalação nuclear subterrânea de Fordow, considerada estratégica […]

Imagem: Jonathan Webb

Neste sábado (22), seis bombardeiros furtivos B-2 dos Estados Unidos sobrevoaram o Oceano Pacífico em direção à Base Naval de Guam, conforme dados públicos de tráfego aéreo. As aeronaves são as únicas capazes de transportar bombas de quase 14 toneladas, que segundo Israel teriam potencial para destruir a instalação nuclear subterrânea de Fordow, considerada estratégica para o programa atômico iraniano.

O envio dos aviões ocorre em um momento de alta tensão, com a Casa Branca avaliando uma possível entrada no conflito ao lado de Israel. O presidente Donald Trump afirmou que uma intervenção pode ocorrer “em até duas semanas”.

Movimentações militares e rota estratégica

Os bombardeiros decolaram à noite da Base Aérea de Whiteman, no Missouri, e foram reabastecidos em voo, indicando que estariam transportando cargas pesadas. A Base de Guam, embora distante cerca de 11 mil km do Irã, é considerada estratégica para operações no Oriente Médio, funcionando como centro logístico e possível ponto de transição para bases como Diego Garcia, no Oceano Índico.

Além dos B-2, os EUA deslocaram cerca de 30 aviões-tanque para abastecimento e anunciaram o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford ao Mar Mediterrâneo, próximo a Israel. Ele se juntará ao USS Nimitz e ao USS Carl Vinson, em uma das maiores concentrações navais americanas recentes.

Bombardeios de Israel e morte de comandantes iranianos

As Forças Armadas de Israel anunciaram que mataram neste sábado três comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana, entre eles Saeed Izadi, apontado como responsável pela coordenação com o Hamas. Também foram mortos Aminpour Joudaki, acusado de liderar ataques com drones, e Behnam Shahriyari, da Força Quds.

Um ataque aéreo israelense atingiu um centro de treinamento em Tabriz, no noroeste do Irã, matando quatro combatentes. Outros bombardeios tiveram como alvo estruturas de lançamento de mísseis no centro do país e duas unidades de produção de centrífugas nucleares em Isfahã. A Agência Internacional de Energia Atômica confirmou os ataques, mas afirmou que não havia material nuclear nas instalações.

Fordow e o poder das bombas bunker buster

A base nuclear de Fordow, localizada próxima à cidade de Qom, é considerada o alvo mais estratégico do Irã. Construída a cerca de 80 a 90 metros abaixo da superfície, é protegida contra ataques aéreos. Apenas a GBU-57/B Massive Ordnance Penetrator (MOP), transportada pelos B-2, seria capaz de atingir essa profundidade.

As bunker busters são bombas não nucleares de 14 toneladas, com estrutura projetada para perfurar camadas de solo e concreto antes da detonação. Israel não possui aeronaves com capacidade de transporte da MOP, e os EUA nunca permitiram a venda do armamento ao aliado.

Contra-ataques do Irã e nova escalada

O Irã respondeu aos ataques israelenses com uma ofensiva de drones Shahed e mísseis, que atingiram, entre outros alvos, a região do Aeroporto Ben Gurion. Um prédio residencial foi danificado no norte de Israel, deixando ao menos 19 feridos. Uma tentativa de atentado contra israelenses no Chipre foi frustrada com ajuda local.

O ex-guarda-costas de Hassan Nasrallah, Hussein Khalil, foi morto após cruzar do Iraque para o Irã. Outro comandante de grupo armado iraquiano também morreu. Segundo autoridades iranianas, mais de 400 pessoas morreram e 3 mil ficaram feridas desde o início do conflito. Em Israel, os ataques teriam deixado 25 mortos.

Reação diplomática e ameaças militares

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a Europa intensificará negociações com o Irã para conter o conflito. Em telefonema com Macron, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian declarou que o país não interromperá seu programa nuclear “sob nenhuma circunstância”, mas se disse disposto ao diálogo.

Enquanto isso, o Irã ameaçou atacar navios ou aeronaves que transportem armas para Israel, considerando tais ações como participação direta na agressão. Trump ironizou os esforços europeus, afirmando que “o Irã não quer falar com a Europa” e que só negociará com os Estados Unidos.

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