Setor produtivo cobra mais prazo, mas governo evita compromisso com adiamento de tarifa dos EUA

Nesta terça-feira (15), o setor produtivo brasileiro reforçou ao governo federal a necessidade de negociar com os Estados Unidos a prorrogação do prazo para início da tarifa de 50% sobre importações de produtos do Brasil, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. No entanto, o governo ainda não garante que pedirá a extensão […]

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nesta terça-feira (15), o setor produtivo brasileiro reforçou ao governo federal a necessidade de negociar com os Estados Unidos a prorrogação do prazo para início da tarifa de 50% sobre importações de produtos do Brasil, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. No entanto, o governo ainda não garante que pedirá a extensão do prazo.

Pressão por mais tempo

Representantes da indústria e do agronegócio participaram das primeiras reuniões do comitê interministerial criado para elaborar a resposta do Brasil à medida anunciada pelos EUA. Durante os encontros, o setor privado classificou a tarifa como insustentável e inviável, e insistiu que o governo solicite mais tempo para negociar.

Apesar da pressão, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), evitou se comprometer com a possibilidade de um pedido oficial aos EUA por mais prazo.

“Queremos resolver o problema o mais rápido possível. Se houver necessidade de mais prazo, vamos trabalhar nesse sentido”, disse Alckmin após a reunião com representantes da indústria.

Prioridade é resolver até o dia 31

Na segunda reunião do dia, com representantes do agronegócio, Alckmin voltou a destacar que a meta do governo é solucionar a questão até 31 de julho, véspera da entrada em vigor da tarifa. Segundo ele, a posição do governo, por enquanto, não é solicitar formalmente o adiamento.

“Reiterar o compromisso do diálogo, que é o compromisso do presidente Lula. Houve a colocação do setor de que o prazo é exíguo. Mas a ideia do governo não é pedir que o prazo seja estendido, e sim procurar resolver até o dia 31. O governo vai trabalhar para tentar resolver isso nos próximos dias”, declarou o vice-presidente.

Mesmo após essa manifestação, ao menos três representantes do agronegócio voltaram a pedir o adiamento da medida, justificando que contratos com clientes norte-americanos não poderão ser cumpridos caso a tarifa passe a valer em agosto.

Comitê interministerial inicia trabalhos

O comitê interministerial, criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizou seus primeiros encontros nesta terça-feira (15) com empresários da indústria e do agronegócio. O objetivo é alinhar o discurso entre os setores público e privado, considerando a relação direta que os empresários mantêm com o mercado norte-americano.

Segundo Alckmin, ouvir o setor produtivo é fundamental antes de qualquer tomada de decisão por parte do governo. O Planalto aposta na interlocução dos empresários com os Estados Unidos como parte da estratégia para tentar reverter ou mitigar os efeitos da tarifa.

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