Neste domingo (22), o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Paulo Teixeira, criticou os ataques realizados pelos Estados Unidos a instalações nucleares do Irã. A declaração foi feita por meio de uma publicação na rede social X. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se manifestou oficialmente sobre o episódio.
Ministro afirma que ação viola leis internacionais
Na postagem, Paulo Teixeira condenou duramente a operação militar norte-americana, que foi anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na noite de sábado (21). “O ataque norte-americano ao Irã, ordenado por Trump, fere frontalmente o direito internacional e o próprio direito interno, já que não foi aprovado pelo congresso norte-americano. Trump é cúmplice dos crimes do governo de extrema-direita de Netanyahu”, escreveu o ministro.
Trump declarou que o bombardeio foi um “ataque muito bem-sucedido” contra instalações nucleares iranianas, citando as unidades de Fordow, Natanz e Isfahan como alvos atingidos.
Trump ameaça novos bombardeios
Durante pronunciamento na Casa Branca, Trump afirmou que “o alvo dessa noite foi o mais difícil e letal” e deixou claro que novas ações podem ocorrer, caso o Irã não mude sua postura. “Irã, o bully do Oriente Médio, deve agora fazer a paz. Se isso não acontecer, ataques futuros serão muito maiores e mais fáceis”, disse.
Segundo o presidente norte-americano, os bombardeios tinham como objetivo impedir o avanço do programa nuclear iraniano. “Nosso objetivo era destruir a capacidade de enriquecimento do Irã e parar a ameaça nuclear em posse do Estado número 1 em patrocínio do terrorismo”, declarou. “As instalações chave de enriquecimento do Irã foram completamente e totalmente obliteradas.”
Trump também elogiou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e exaltou a aliança entre os dois países.
Contexto regional e histórico das tensões
No último dia 12 de junho, Israel já havia realizado o que chamou de “ataques preventivos” contra o Irã, tendo como alvo militares de alto escalão e cientistas ligados ao programa nuclear iraniano.
Os EUA vinham negociando com o Irã um acordo que limitaria o desenvolvimento nuclear a fins pacíficos, mas as tratativas foram se desgastando nos últimos meses.
Relação entre Brasil e Irã
Em 2025, Brasil e Irã mantêm uma relação diplomática estável, após um período de tensão na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegou a criticar publicamente o regime iraniano. Ao longo do ano, autoridades dos dois países participaram de diversas reuniões em Brasília durante os eventos preparatórios para a Cúpula dos Chefes de Estado do Brics, marcada para julho no Rio de Janeiro.
As reuniões abordaram temas como agropecuária, saúde e infraestrutura, e há expectativa de novos encontros bilaterais durante a cúpula.
O Irã passou a integrar oficialmente o Brics em 2024, após a ampliação do grupo. Na ocasião, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que os Brics representam “uma saída para o totalitarismo dos EUA”.
Comércio Brasil-EUA
Apesar das críticas de autoridades brasileiras ao ataque, os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o fluxo de comércio entre os dois países ultrapassou US$ 80 bilhões.





