Nesta quinta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após condenação por corrupção. A visita ocorreu em Buenos Aires, após a participação de Lula na Cúpula do Mercosul, na qual o brasileiro assumiu a presidência rotativa do bloco.
Encontro com Cristina Kirchner
O encontro entre Lula e Cristina foi realizado no início da tarde, por volta das 12h30. O presidente brasileiro chegou à residência da ex-presidente sob escolta da polícia argentina e em meio a um forte esquema de segurança. A reunião durou aproximadamente 50 minutos.
A visita foi autorizada pela Justiça argentina, a pedido da defesa de Cristina. Na chegada e na saída, Lula foi aplaudido por apoiadores da ex-presidente, que se concentraram em frente ao local.
Esta é a primeira viagem de Lula à Argentina desde a posse do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023. Apesar da visita oficial, não houve encontro bilateral entre os dois líderes. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, não há reunião prevista entre Lula e Milei.
Participação na Cúpula do Mercosul
Lula está na capital argentina desde quarta-feira (2), quando participou da cúpula do Mercosul. Durante o evento, o presidente brasileiro assumiu a presidência rotativa do bloco, sucedendo Milei.
O formato da cúpula prevê reuniões reservadas apenas entre os presidentes, intérpretes e alguns assessores. Lula se reuniu com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e deve ter um encontro com o presidente da Bolívia, Luis Arce.
Durante a campanha eleitoral, Milei fez críticas públicas a Lula e ao PT. Em 2024, o presidente argentino visitou o Brasil, mas se encontrou apenas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, sem manter contato com o atual chefe do Executivo brasileiro.
A condenação de Cristina Kirchner
Cristina Kirchner foi condenada por favorecimento ao empresário Lázaro Báez, dono de uma empreiteira e amigo do casal Kirchner. A acusação aponta que Báez venceu 51 licitações de obras públicas, muitas delas superfaturadas e não concluídas.
Segundo a denúncia, após vencer os contratos, parte dos recursos públicos era repassada a Cristina, ao ex-presidente Néstor Kirchner (que governou entre 2003 e 2007) e a empresas de familiares do casal.
Cristina foi acusada de liderar uma organização criminosa e de praticar gestão fraudulenta ao longo de 12 anos, abrangendo o governo de Néstor e seus dois mandatos. O esquema teria causado prejuízo estimado em US$ 1 bilhão aos cofres públicos. Ela nega as acusações e afirma que a sentença foi determinada antes mesmo do julgamento.
Em junho, Lula ligou para Cristina após a Suprema Corte da Argentina rejeitar o recurso que pedia a anulação da condenação.
Avanços comerciais no bloco
A Cúpula do Mercosul também marcou o encerramento da presidência temporária da Argentina e o início do mandato do Brasil à frente do bloco sul-americano.
Na véspera do encontro, foi anunciado um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). De acordo com o Itamaraty, a parceria deverá criar uma zona de livre comércio com cerca de 300 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 4,3 trilhões.
O governo brasileiro espera que o tratado com a EFTA seja assinado formalmente em 2025. Paralelamente, Lula pretende concluir ainda este ano as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
O acordo com os europeus, iniciado em 1999 e finalizado em 2019, passou por uma fase de revisão que se estendeu até 2024, durante a cúpula anterior no Uruguai. Agora, a ratificação depende da aprovação do Conselho e do Parlamento Europeu.
Enquanto países como a Espanha se mostram favoráveis, outros, como a França, apresentam resistência. O presidente Emmanuel Macron afirma que os padrões ambientais exigidos dos europeus são mais rígidos que os aplicados aos sul-americanos. Lula, por sua vez, tem cobrado que a França apresente alternativas para destravar as negociações.





