Nesta quinta-feira, (12), o presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), oficializou a substituição do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) da relatoria da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 — um dos cargos mais estratégicos na definição das prioridades orçamentárias do governo federal. A decisão ocorre em meio à crescente tensão política provocada pela alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), medida que gerou atritos entre o Executivo e o Legislativo.
PT perde comando de relatoria estratégica
A relatoria da LDO é considerada uma das posições mais relevantes no ciclo orçamentário do Congresso, pois define as metas e prioridades fiscais para o ano seguinte. A retirada do PT desse posto contrariou um acordo firmado previamente com Hugo Motta, ainda durante sua candidatura à presidência da comissão, no qual o partido teria direito à indicação.
O nome inicialmente escolhido pelo PT era Carlos Zarattini, deputado de perfil técnico, ligado à área econômica do partido e com trânsito entre parlamentares do governo e da oposição. A substituição de Zarattini gerou desconforto na bancada petista, que enxergou na decisão um gesto de recuo político e uma quebra de compromissos.
Centrão pressiona e impõe novo nome
Segundo apurou a CNN Brasil, a troca foi motivada por pressões de lideranças do Centrão, bloco informal que reúne partidos como PP, Republicanos e União Brasil. A atuação desses grupos, que têm influência decisiva nas negociações orçamentárias, buscava um nome mais alinhado ao conjunto de interesses da base ampliada do governo.
Com isso, o deputado Gervásio Maia (PSB-PB) foi indicado para assumir a relatoria. Embora o PSB seja da base governista, o gesto foi lido como uma manobra de neutralização da influência direta do PT sobre o orçamento. Gervásio é próximo do presidente Lula e tem perfil conciliador, o que facilitou sua aceitação entre as demais lideranças da comissão.
Compensação: Zarattini assume MP sobre o IOF
Em uma tentativa de conter o desgaste com o PT, Hugo Motta ofereceu a Zarattini a relatoria de uma Medida Provisória enviada recentemente pelo governo federal. Essa MP trata da reformulação das alíquotas do IOF, tema sensível que gerou reações negativas no Congresso, especialmente após críticas sobre a forma como o Executivo justificou o aumento do imposto.
A medida também apresenta sugestões para compensações fiscais e alternativas de arrecadação, o que confere à nova relatoria de Zarattini uma importância técnica relevante, embora com menos visibilidade política do que a LDO.
Reações políticas e impactos no governo
A movimentação na Comissão de Orçamento gerou desconforto dentro do PT, mas não resultou em rompimento. Internamente, membros da legenda avaliam que a manutenção da relatoria de uma medida econômica relevante para Zarattini ameniza parcialmente o impacto político da troca.
Líderes de outros partidos, especialmente do Centrão, enxergaram a decisão como uma solução de equilíbrio político, que distribui cargos-chave entre aliados de diferentes espectros da base. Para o governo Lula, que precisa manter coesão no Congresso para aprovar matérias de interesse, a composição foi vista como necessária para garantir estabilidade em um momento de pressão fiscal.
A expectativa agora é que Gervásio Maia entregue uma proposta de LDO capaz de dialogar tanto com as demandas do Executivo quanto com os interesses dos parlamentares que disputam espaço no orçamento. Já Zarattini terá a missão de conduzir um debate técnico sobre o IOF, tema que se tornou símbolo das dificuldades do governo em administrar a arrecadação sem provocar reações políticas adversas.





