Era um dia comum, meados de 2009, quando entrei em um salão de cabeleireiro e lá estava ele: Virmondes da Silva Barra, o mineiro Baiano. Um homem que carregava a força de suas origens no olhar e um sonho que parecia maior que o mundo. Naquele momento, Gabriel, seu filho, era vice-prefeito de Vazante, o jovem que, ao lado de Orlando Fialho desbancara o até então invencível Dr. José Benedito. A campanha fora dura, e entre os tantos rótulos atribuídos a Gabriel, um ecoava com certa ironia: “filho do Baiano”. Virmondes havia sofrido algumas derrotas para médico.
Puxei conversa com o mineiro de fala mansa, mas de ideias firmes. “Poxa, Baiano, você que tanto tentou ser prefeito, deve estar realizado vendo o Gabriel como vice.” Ele sorriu de canto, ajeitando um pouco a postura e respondeu no seu inconfundível mineirês: “Não, sô… Não estamos satisfeitos. Ainda chegaremos na cabeça.”
Naquele momento, confesso, não levei muito a sério. Eu vinha do lado derrotado, o grupo de Dr. José, e talvez minha visão estivesse um pouco turva. Mas o tempo é mestre em reviravoltas, e, em 2016, lá estávamos nós no mesmo barco. Gabriel estava firme no grupo de Dr. Jacques e Antônio Andrade, destacando-se pela lealdade e dedicação. Como secretário de Saúde, demonstrava um coração que compensava qualquer lacuna técnica.
Seu pai, o Baiano, observava tudo de longe, sem alardes, mas com um orgulho que transparecia em cada gesto. E então, veio 2021, um ano que mudou tudo. A pandemia varreu vidas, trouxe dor e nos arrancou Baiano. O vírus, cruel e impiedoso, levou mais que um homem; levou o porto seguro de Gabriel.
Mas Gabriel, mesmo entre lágrimas, jamais usou o nome do pai como escudo. Nunca explorou a dor para conquistar simpatia. Ele seguiu firme, deixando que suas ações falassem por si. Sem discursos vazios, sem artifícios, se destacou pela autenticidade, pela essência de quem nasceu para liderar.
Hoje, Gabriel é prefeito de Vazante. “O filho do Baianão”. Ele carrega nas costas o peso de responsabilidades imensas e no peito a memória de um pai que acreditava. Enquanto o tempo continua seu curso, gosto de pensar que, em algum lugar, Baiano observa e sorri.





