Nesta quinta-feira, (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chorou durante uma ligação telefônica em que relatou ter sido condenada pela Justiça de seu país sem a apresentação de provas. A fala foi feita durante um discurso no Fórum Jurídico de Lisboa, em Portugal, diante de autoridades do Judiciário, do governo brasileiro e representantes da área jurídica.
Lula compara situação de Cristina com a sua e critica condenações sem provas
Ao compartilhar o episódio, Lula relatou que a ex-presidente argentina o procurou por telefone logo depois da decisão judicial que a condenou. Segundo ele, Cristina estava emocionalmente abalada e expressou indignação com o julgamento a que foi submetida.
“Quando a Cristina Kirchner foi condenada, ela me ligou chorando, dizendo: ‘Lula, fui condenada sem prova’. Eu disse: ‘Cristina, eu também fui’”, afirmou o presidente, fazendo um paralelo com os processos a que ele próprio respondeu no Brasil. Lula não detalhou a data da ligação, mas a recordação foi usada para reforçar seu posicionamento crítico sobre decisões judiciais baseadas, segundo ele, em interpretações políticas e não em evidências concretas.
A declaração ocorreu em meio a um discurso em que Lula abordava o fenômeno que chamou de “judicialização da política” e alertava para o que considera um padrão de perseguição contra lideranças políticas em países latino-americanos. Ele reforçou a narrativa de que o uso do sistema de Justiça como ferramenta para deslegitimar adversários políticos tem se tornado uma prática preocupante na região.
Fórum reúne ministros do STF, políticos e juristas para discutir Justiça e democracia
O Fórum Jurídico de Lisboa é um evento anual que promove debates sobre temas ligados ao Estado de Direito, à governança pública e ao papel das instituições. A edição deste ano contou com a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes do governo federal, autoridades brasileiras e estudiosos do Direito. A programação inclui palestras, mesas redondas e encontros entre representantes do Judiciário e do Executivo.
A fala de Lula integrou a abertura do evento e foi acompanhada de perto por ministros do STF, como Gilmar Mendes — um dos organizadores do fórum — e outros representantes da alta cúpula do sistema jurídico brasileiro. Em seu discurso, o presidente defendeu a importância de fortalecer a confiança nas instituições e criticou decisões judiciais tomadas, segundo ele, sem a devida sustentação jurídica.
A lembrança do caso de Cristina Kirchner, nesse contexto, foi usada por Lula para ilustrar como lideranças progressistas, em sua visão, têm sido alvo de processos judiciais com motivações políticas. O presidente não citou nomes de juízes ou tribunais argentinos, mas deixou claro que vê paralelos entre o caso de Cristina e o que viveu no Brasil com as decisões que o levaram à prisão em 2018.
Discurso reforça posicionamento político de Lula em eventos internacionais
Essa não é a primeira vez que Lula utiliza eventos internacionais para reforçar sua crítica ao que considera abusos do sistema judicial contra líderes políticos de esquerda. No Fórum de Lisboa, que tem ganhado cada vez mais espaço como palco de articulação jurídica e política, Lula voltou a defender o papel da Justiça com base no devido processo legal e alertou para os riscos de seu uso como instrumento de disputa política.
A narrativa apresentada pelo presidente vai ao encontro do discurso que ele tem mantido desde que teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021. A estratégia de incluir casos semelhantes em outros países latino-americanos, como o de Cristina Kirchner, tem sido uma constante em sua argumentação para sustentar que há um padrão de perseguição às lideranças progressistas na região.





