Nessa sexta-feira (3), o Instituto de Criminalística de São Paulo confirmou a presença de metanol em duas garrafas de bebidas alcoólicas apreendidas pela Polícia Civil. A confirmação faz parte das investigações sobre mais de 100 casos suspeitos de intoxicação registrados em pelo menos cinco estados e no Distrito Federal. Uma morte já foi confirmada, e outras sete estão sob análise.
Prisão de fornecedor e apreensões em São Paulo
Também nesta sexta (3), uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) prendeu um dos principais fornecedores de materiais usados na produção de destilados adulterados. De acordo com a polícia, os produtos falsificados, como uísques, vodcas e gins, eram fabricados com itens armazenados em dois imóveis diferentes.
Situação nacional: 116 casos suspeitos
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que há 116 casos suspeitos e 11 confirmações de intoxicação por metanol no país. As ocorrências se espalham pelos estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal.
Como identificar bebidas falsificadas
O presidente executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, reforçou a importância de identificar garrafas adulteradas. Ele recomendou que bares e consumidores comprem apenas de fornecedores confiáveis, exijam nota fiscal e desconfiem de preços muito abaixo do mercado.
Solmucci destacou ainda que falsificações geralmente apresentam rótulos de baixa qualidade. “O rótulo de uma bebida sofisticada, normalmente em alto-relevo, é difícil de copiar. Quem falsifica não alcança essa qualidade”, afirmou.
Ações das autoridades
Com o aumento dos casos, o Ministério da Saúde instalou na quarta-feira (1) uma Sala de Situação para monitorar os episódios de intoxicação por metanol e coordenar medidas de resposta. Segundo Padilha, o cenário é “anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica”.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas determinou a abertura de investigações contra estabelecimentos que comercializaram bebidas com metanol. A Secretaria da Fazenda já suspendeu inscrições estaduais de empresas envolvidas, e o Procon-SP lançou um canal especial de denúncias no site oficial, permitindo registros anônimos de produtos suspeitos.
A Anvisa também mobilizou ações emergenciais para viabilizar a chegada do antídoto fomepizol ao país. Como o medicamento não possui registro sanitário no Brasil, a agência iniciou contatos com autoridades internacionais e publicou edital para localizar fornecedores com disponibilidade imediata.
Alternativas terapêuticas e apoio hospitalar
Enquanto aguarda a importação do fomepizol, a Anvisa identificou mais de 600 farmácias de manipulação com capacidade para preparar etanol em grau farmacêutico, alternativa indicada em casos de urgência. Padilha informou que o governo federal mantém estoques do produto em hospitais universitários e que a distribuição está sendo ampliada para todo o país.
Recomendações e prevenção
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) emitiu uma recomendação urgente a bares, restaurantes, hotéis, eventos e plataformas de delivery. O documento orienta atenção a produtos com lacres tortos, erros de impressão e preços muito baixos.
A pasta também alerta que sintomas como visão turva, dor de cabeça e náusea podem indicar intoxicação por metanol.
Cuidados para evitar bebidas adulteradas:
- Comprar apenas em estabelecimentos conhecidos ou de confiança;
- Desconfiar de preços abaixo do valor de mercado;
- Verificar a qualidade do rótulo e da embalagem;
- Não realizar testes caseiros, como cheirar ou queimar a bebida;
- Comunicar imediatamente as autoridades;
- Exigir nota fiscal com identificação do fornecedor e da compra.





