Campos Neto critica aumento do IOF e diz que imposto afeta produção

Nesta segunda-feira (7), o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) não é um tributo voltado apenas para os ricos e alertou que seu aumento pode provocar encarecimento em toda a cadeia produtiva. A declaração foi feita em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo. “Impacta […]

Pedro França/Agência Senado)

Nesta segunda-feira (7), o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) não é um tributo voltado apenas para os ricos e alertou que seu aumento pode provocar encarecimento em toda a cadeia produtiva. A declaração foi feita em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo.

“Impacta toda a cadeia”, diz ex-presidente do BC

Para Campos Neto, o imposto é frequentemente mal compreendido. “Não é verdade que [o IOF] seja um imposto para ricos. Essa [ideia] não resiste a uma conta simples do aumento no custo para uma operação de crédito pequena. Impacta toda a cadeia e encarece e distorce o processo produtivo”, afirmou.

Durante a entrevista, ele ainda classificou o IOF como “um imposto muito ruim” e declarou que “não se pode dizer que o encarecimento do crédito é para o andar de cima”. Campos também reforçou que sua atuação agora será no setor privado, após ter assumido, no último dia 1º, a vice-presidência do Conselho de Administração e a chefia global de Políticas Públicas do Nubank.

Campos Neto transmitiu o comando do BC para Gabriel Galípolo em 1º de janeiro deste ano, após o fim de seu mandato e o cumprimento da quarentena obrigatória.

STF suspendeu aumento do IOF

Na última sexta-feira (4), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu atos do Executivo e do Legislativo que envolviam o aumento do IOF. Moraes também convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes, acrescentando mais um capítulo à controvérsia em torno do tributo.

Críticas à esquerda e política latino-americana

Na entrevista, Campos Neto também fez críticas às ideologias de esquerda, afirmando que há uma “obsessão com igualdade” em vez de foco na redução da pobreza.

“Tem algo sintomático dos regimes de esquerda no mundo, que está sendo questionado. Acredito fortemente no axioma que diz que, quando o governo cresce, a liberdade da sociedade diminui. As ideologias de esquerda têm uma obsessão com igualdade e não com diminuição da pobreza”, declarou.

Segundo ele, como a igualdade não seria um “fenômeno natural”, o governo se apresenta como necessário para corrigir o que considera um erro.

“Não serei candidato”, afirma sobre 2026

Campos Neto também negou qualquer envolvimento com uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República em 2026.

“Acabei de entrar no Nubank. Nos últimos dois anos, falaram que eu ia fazer todo tipo de coisa, ser senador, governador, ministro, morar fora, que não me preocupava com o Brasil — o que, aliás, não é verdade. Sempre disse a mesma coisa. Minha área de interesse é finanças e tecnologia”, afirmou.

“Tarcísio tem dito repetidamente que vai ser candidato a governador. Só para a gente encerrar essa especulação, porque vou para o mundo privado. A resposta já está dada”, completou.

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