Nesta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou à Polícia Federal que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) levou o hacker Walter Delgatti Neto ao Palácio da Alvorada para tratar sobre as urnas eletrônicas, mas que não depositou confiança nas informações apresentadas por ele.
Hacker foi recebido no Alvorada para discutir urnas eletrônicas
De acordo com Bolsonaro, a própria Zambelli organizou o encontro com Delgatti, com o objetivo de tratar de supostas falhas no sistema eleitoral. O ex-presidente relatou que autorizou o encontro, mas não se convenceu das alegações feitas pelo hacker.
No dia anterior, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid confirmou o episódio e acrescentou que Bolsonaro solicitou a presença do então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para acompanhar a reunião. A intenção seria avaliar tecnicamente as informações apresentadas por Delgatti.
Em seguida, Bolsonaro teria solicitado o aprofundamento do tema com o apoio do Ministério da Defesa, buscando uma avaliação mais detalhada sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Investigação aponta tentativa de golpe
A Polícia Federal investiga a articulação de uma organização criminosa que teria como objetivo impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) considera Bolsonaro o líder do grupo, e afirma que ele teve conhecimento e participação ativa em ações que buscavam desacreditar o processo eleitoral.
Entre os elementos investigados, está a elaboração de uma minuta de decreto que previa a decretação de estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral, o que poderia embasar medidas autoritárias para impedir a transição de governo.
Zambelli é alvo de prisão e aguarda extradição
Carla Zambelli, atualmente na Itália, teve prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. O pedido de extradição está em curso. Ela foi condenada pelo STF a 10 anos e 8 meses de prisão, além da perda do mandato e pagamento de indenização de R$ 100 mil, por participação na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), articulada com o mesmo hacker.
A condenação foi confirmada pela Primeira Turma do Supremo no último dia 8, com rejeição unânime do recurso apresentado pela deputada.





