Neste domingo (22), o Bitcoin registrou uma forte queda, recuando para abaixo dos US$ 100 mil em meio ao agravamento do conflito entre Irã e Israel e temores de uma guerra regional envolvendo os Estados Unidos. A instabilidade geopolítica aumentou a volatilidade dos ativos digitais, intensificando incertezas também relacionadas a possíveis ações do Federal Reserve.
Criptomoedas acumulam perdas de US$ 250 bilhões
O recuo do Bitcoin foi acompanhado por quedas expressivas de outras criptomoedas relevantes, como Ethereum e XRP. Em apenas 24 horas, o mercado global de criptoativos perdeu cerca de US$ 250 bilhões em valor total.
Antes da desvalorização, o Bitcoin havia resistido aos primeiros ataques entre Irã e Israel, mas a possibilidade de uma escalada maior — aliada a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível evento “revolucionário” — ampliou o receio dos investidores.
Fechamento do Estreito de Ormuz entra em debate
A tensão aumentou ainda mais após informações de que o parlamento do Irã teria aprovado o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo mundial. A decisão final caberá ao Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, de acordo com a emissora estatal Press TV, citada pela France24.
Esmail Kosari, parlamentar e comandante da Guarda Revolucionária iraniana, declarou ao Young Journalist Club que o fechamento da passagem está “na pauta” e será implementado “sempre que for necessário”.

Petróleo em alerta e impacto no mercado financeiro
Os mercados de energia, já sob tensão, podem sofrer impactos imediatos. Segundo o analista Ron Bousso, da Reuters, o bloqueio do Estreito poderia provocar uma disparada nos preços do petróleo. Apesar disso, ele ressaltou que, mesmo em cenários extremos, choques prolongados de fornecimento não são garantidos.
O risco de interrupção no Estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, já vinha sendo citado como um possível gatilho para novas oscilações no mercado de criptomoedas.
Especialistas apontam futuro incerto para o Bitcoin
Analistas alertam para os riscos da conjuntura atual. Tracy Jin, diretora de operações da corretora MEXC, afirmou que o cenário precisa ser “monitorado de perto”. Já Alex Kuptsikevich, da FxPro, destacou que o futuro do Bitcoin dependerá dos desdobramentos no Oriente Médio.
Para ele, uma escalada que envolva outras nações e um possível bloqueio de Ormuz poderia reduzir ainda mais o apetite global por ativos de risco, revertendo a tendência de valorização recente do Bitcoin.





