Na última terça-feira, (4), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com os três meses finais de 2024. O resultado superou as expectativas do mercado e foi impulsionado, principalmente, pelo forte desempenho da agropecuária, que voltou a ser o principal motor da economia brasileira neste início de ano.
Setor agropecuário tem salto de dois dígitos e lidera desempenho econômico
A agropecuária cresceu 11,3% entre janeiro e março, na comparação com o trimestre anterior, se destacando como o setor com maior taxa de expansão. De acordo com o IBGE, a alta se deve a uma combinação de fatores positivos, entre eles a colheita recorde de soja — principal produto da pauta agrícola brasileira — além de resultados expressivos na produção de arroz e fumo. O clima favorável e os investimentos tecnológicos no campo também colaboraram para esse desempenho robusto.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o avanço do setor foi de 2,3%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a agropecuária cresceu 4,4%, refletindo uma recuperação consistente após oscilações vistas ao longo do ano passado.
Serviços seguem em trajetória positiva com apoio de transporte e comunicação
O setor de serviços, responsável por cerca de 70% da economia nacional, também apresentou crescimento relevante no período. Houve alta de 1,4% em relação ao trimestre anterior, puxada especialmente pelas áreas de transporte, armazenagem e correio, bem como pelas atividades de informação, comunicação, serviços financeiros, imobiliários e profissionais.
Esse resultado confirma a retomada gradual do setor, que vinha demonstrando resiliência desde o final de 2023, e mostra sinais de recuperação sustentada, com base no aumento da mobilidade urbana e na maior demanda por serviços ligados ao setor digital e financeiro.
Indústria avança com cautela e consumo das famílias se mantém aquecido
A indústria brasileira registrou uma expansão mais modesta, com alta de 0,6% no trimestre. O desempenho foi puxado pela indústria de transformação e pela construção civil, ainda que o ritmo de crescimento tenha sido impactado por custos elevados de produção e ajustes em estoques em alguns segmentos.
Já o consumo das famílias cresceu 1,4%, mantendo-se como um dos pilares da atividade econômica. Esse crescimento foi favorecido por um ambiente de inflação sob controle, ampliação da massa salarial real e maior disponibilidade de crédito, além da continuidade de programas sociais que ajudam a sustentar a renda de milhões de brasileiros.
Investimentos recuam e setor externo mostra desequilíbrio
Mesmo com os resultados positivos em diversas frentes, os investimentos — medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — registraram queda de 0,8% no trimestre. Essa retração indica um freio no ritmo de aportes em máquinas, equipamentos e infraestrutura, refletindo um ambiente de incerteza fiscal e cautela por parte das empresas.
No setor externo, as exportações recuaram 0,2%, ao passo que as importações cresceram expressivos 6,5%. O saldo negativo contribuiu para uma leve deterioração no desempenho do comércio exterior no período, embora ainda não tenha impactado significativamente o resultado agregado do PIB.
PIB per capita cresce e reforça percepção de melhora gradual da economia
O PIB per capita do primeiro trimestre de 2025 foi de R$ 52.083, apresentando crescimento real de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O indicador reforça a percepção de que a economia brasileira segue em trajetória de recuperação, ainda que com desafios no campo fiscal e nas condições de investimento.
A divulgação dos dados foi bem recebida por analistas, que veem no bom desempenho do agro e na resiliência do consumo familiar sinais de que o país pode manter um ritmo de crescimento moderado nos próximos trimestres, desde que haja avanço nas reformas estruturais e nas políticas de equilíbrio fiscal.





