Nessa quinta-feira (5), o mercado financeiro brasileiro registrou forte queda na cotação do dólar, que encerrou o dia negociado abaixo do patamar de R$ 5,60 pela primeira vez desde outubro do ano passado. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3), por outro lado, fechou em território negativo. O movimento foi influenciado principalmente por decisões de política monetária na Europa e pelas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.
Cenário Externo Favorece Real
A desvalorização da moeda norte-americana frente ao real acompanhou uma tendência global. Um dos principais fatores foi a decisão da União Europeia de reduzir sua taxa básica de juros em 0,25%, fixando-a em 2% ao ano. Cortes de juros em economias desenvolvidas tendem a aumentar a atratividade de ativos de países emergentes, como o Brasil, que oferecem retornos maiores, mesmo com risco mais elevado.
Cresce também a expectativa por uma redução nos juros norte-americanos. O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) definirá sua taxa no próximo dia 18 de junho, mas sinais de enfraquecimento da economia local, como uma recente queda na geração de empregos, alimentam as apostas em um corte. Caso isso se confirme, explicam analistas, o fluxo de dólares para o Brasil pode aumentar, pressionando a cotação para baixo, especialmente considerando a elevada taxa Selic brasileira.
Negociações EUA-China sem Grandes Avanços
Outro ponto de atenção foi a conversa telefônica entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China). Embora o diálogo tenha ocorrido, o mercado se frustrou com a ausência de sinais concretos de um acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo. Trump havia imposto tarifas elevadas a produtos chineses anteriormente, gerando retaliação de Pequim e temores de uma guerra comercial, conflito que levou à suspensão temporária da maior parte das tarifas.
Xi Jinping, segundo a agência estatal chinesa Xinhua, defendeu uma “correção no curso” das relações bilaterais e a necessidade de eliminar interferências, mostrando abertura para continuar as negociações.
Incertezas Fiscais no Radar
No cenário doméstico, a indefinição quanto às medidas que o governo brasileiro adotará para compensar a perda de arrecadação com a não elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ainda gera cautela entre os investidores. A expectativa é que o pacote de compensação seja anunciado no domingo, tendo sido previamente discutido com as lideranças do Congresso Nacional.





