Organização criminosa, segundo a PF, planejava ataques e cobrava altos valores para monitorar autoridades
Ministros do STF estavam entre possíveis alvos
Nesta terça-feira (28), a Polícia Federal revelou que os nomes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, apareciam em anotações apreendidas com um grupo acusado de planejar assassinatos sob encomenda. Segundo a PF, a quadrilha cobrava até R$ 250 mil para monitorar e eliminar alvos considerados “inimigos” por seus contratantes. As informações foram obtidas por meio de diligências realizadas durante uma operação que investiga a atuação do grupo em vários estados do país.
Operação prendeu cinco suspeitos em três estados
A operação resultou na prisão de cinco integrantes da organização criminosa e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. A ofensiva faz parte de um inquérito que corre em segredo de Justiça e que foi autorizado pelo próprio ministro Cristiano Zanin, um dos alvos mencionados nos documentos apreendidos. Os mandados foram expedidos com base em evidências obtidas a partir de uma investigação mais ampla sobre crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Grupo se apresentava como ‘Comando C4’
O grupo criminoso se identificava como “Comando C4”, uma sigla para “Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”. Formado por civis e também por militares da ativa e da reserva, o grupo promovia ações clandestinas e fazia uso de linguagem ideológica para justificar seus objetivos. Um dos crimes atribuídos ao grupo é o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em Cuiabá (MT), em 2023, em um caso que já vinha sendo tratado pelas autoridades como uma execução planejada.
Esquema envolvia lavagem de dinheiro e propinas
Além das acusações de formação de grupo de extermínio, a PF apura o envolvimento da organização em esquemas de lavagem de dinheiro. A investigação aponta que os suspeitos usavam uma rede de empresas de fachada para movimentar valores oriundos de atividades ilícitas, incluindo o pagamento de propinas. Um dos focos da apuração é a suposta compra de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), indicando um esquema mais amplo de corrupção e tráfico de influência no meio jurídico.
Autoridades, empresários e magistrados estão entre os investigados
Entre os investigados estão advogados, empresários, lobistas, parlamentares e magistrados. A PF apura se houve participação ativa dessas figuras em crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional. Há suspeitas de que integrantes do grupo mantinham relações com gabinetes parlamentares e utilizavam essas conexões para obter vantagens ilícitas ou proteger as atividades criminosas da quadrilha.
Polícia apura se ministros foram monitorados de fato
Apesar de os nomes de Moraes e Zanin constarem nas anotações apreendidas, os investigadores ainda buscam confirmar se houve algum tipo de monitoramento efetivo dos ministros por parte da organização. As anotações citavam alvos e valores, mas a PF trabalha para entender se essas ações chegaram a ser colocadas em prática ou se representavam apenas intenções. O caso segue sob sigilo, e os agentes continuam analisando documentos, registros financeiros e comunicações apreendidas durante a operação.





