Recentemente, a Câmara Municipal de Vazante aprovou, por unanimidade, um ‘Voto de Repúdio’ direcionado ao presidente do IBAMA, Rodrigo Antônio de Agostinho Mendonça, em resposta à suspensão das licenças para o manejo e caça de javalis. Alegando os danos significativos que esses animais podem causar às plantações, o vereador Daniel Henrique (PSD) justificou a medida como uma forma de protesto contra essa decisão do órgão ambiental federal.
Não há dúvidas quanto à gravidade do impacto dos javalis nas lavouras, sendo descritos como verdadeiras pragas capazes de dizimar plantações inteiras, acarretando prejuízos econômicos consideráveis para a agropecuária nacional. No entanto, mesmo reconhecendo a necessidade de lidar com essa questão, é vital ressaltar a natureza oportunista e limitada dessa iniciativa.
O IBAMA, como órgão federal, não está sujeito à jurisdição direta das câmaras municipais. Portanto, a nota de repúdio, embora expresse uma preocupação legítima, parece ser mais uma ação populista do que efetiva. Seria mais produtivo e relevante buscar um diálogo construtivo com o órgão responsável, visando soluções práticas e viáveis para lidar com o problema relacionado à caça dos javalis.
Além disso, é crucial refletir a respeito das ‘pragas’ em outros setores da sociedade. Se nos empenharmos em eliminar todas as ‘pragas’, por que não olhar também para aquelas que corroem os alicerces da nossa política e ética social? A corrupção, os escândalos de assédio, as imoralidades e a compra de votos são pragas que devastam não apenas as ‘lavouras’ econômicas, mas também o tecido moral da nação.
Enquanto nos concentramos em questões como a dos javalis, é imprescindível direcionar igual atenção e esforços para lidar com essas ‘pragas’ humanas que minam a integridade e o bem-estar da sociedade. É hora de uma abordagem mais abrangente, buscando equilíbrio entre as preocupações ambientais e as questões sociais e políticas que afetam o país.
Algumas pragas precisam ser caçadas e outras, cassadas.





