China suspende compras de soja dos EUA, e Brasil amplia liderança nas exportações

Entidade de produtores norte-americanos alerta para queda de quase 80% nas vendas ao mercado chinês e impacto da guerra tarifária
Foto: Getty

Nesta terça-feira (7), a American Farm Bureau Federation, principal entidade agrícola dos Estados Unidos, alertou que a China interrompeu as compras de soja norte-americana, abrindo espaço para o avanço de exportadores brasileiros. O grupo, que representa cerca de 6 milhões de produtores, divulgou relatório com dados que apontam uma redução drástica nas vendas do grão ao gigante asiático.

Queda acentuada nas exportações

Segundo o documento, o volume embarcado de soja dos Estados Unidos para a China caiu quase 78% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024. No ano passado, o país asiático havia sido responsável por quase metade das exportações do grão.

O relatório associa o recuo à intensificação da guerra tarifária entre Washington e Pequim. A China passou a aplicar tarifas de cerca de 20% sobre a soja norte-americana após novas rodadas de disputas comerciais.

“Durante junho, julho e agosto, os EUA praticamente não enviaram soja para a China e a China não comprou nenhuma soja da nova safra para o próximo ano comercial”, destacou a economista Faith Parum, autora do estudo.

Brasil assume protagonismo

A entidade esclarece que a China não reduziu suas importações totais de soja, mas substituiu os grãos norte-americanos por produtos de outros fornecedores, principalmente do Brasil.

“Mesmo quando os agricultores americanos produzem safras com preços competitivos, a China tem reduzido constantemente sua dependência dos Estados Unidos, voltando-se para o Brasil, a Argentina e outros fornecedores”, cita o relatório.

De acordo com o levantamento, as importações chinesas de soja atingiram níveis recordes, embora a maior parte dessa demanda esteja sendo suprida por concorrentes dos EUA. O cenário se repete em outros produtos agrícolas que também perderam espaço no mercado chinês.

Impacto na economia rural dos EUA

Dados do governo norte-americano mostram que as exportações agrícolas totais dos Estados Unidos para a China devem somar US$ 17 bilhões em 2025 — uma queda de 30% em relação a 2024 e superior a 50% em comparação com 2022. Em 2026, o valor pode cair para US$ 9 bilhões, o menor desde a guerra comercial de 2018.

O relatório aponta que as tensões tarifárias afetam os preços do milho, da soja e do trigo, reduzindo receitas agrícolas mesmo diante de colheitas abundantes.

“A ampla oferta global e a demanda de exportação mais fraca estão pesando fortemente sobre os preços, reduzindo as receitas agrícolas, apesar das fortes safras”, destaca o texto.

Pacote de ajuda em estudo

Diante do cenário, o governo norte-americano estuda lançar um pacote de US$ 15 bilhões para auxiliar produtores rurais, segundo fontes da CNN. As falências de fazendas aumentaram no primeiro semestre e atingiram o maior nível desde 2021.

A situação da soja tornou-se símbolo das dificuldades enfrentadas pela economia agrícola durante o segundo mandato de Donald Trump. De acordo com fontes da Casa Branca, o presidente reconhece os impactos do impasse comercial e tem cobrado soluções urgentes de sua equipe.

Nos últimos dias, a Casa Branca realizou reuniões com os Departamentos de Agricultura e do Tesouro para definir as medidas de apoio. Segundo as fontes, as discussões se concentram em duas possíveis formas de assistência direta aos produtores.

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