Marlon Vinínius já havia sido campeão em tantos cantos do Brasil. Carros, motos, troféus, aplausos. Já tinha escrito seu nome nas arenas que consagram os melhores. Mas não tinha sido campeão onde mais importava. Em Lagamar. No chão que é dele, nas arquibancadas que carregam sua gente, nos olhos que não o veem apenas como competidor, mas como filho, vizinho, amigo.
Faltava esse título. Faltava o abraço de casa. Faltava a vitória diante da plateia que lotou o Parque de Exposições não para ver apenas um atleta, mas para sentir um pedaço de si montando, resistindo, vencendo.
No silêncio da montaria, a voz do narrador se calou. Não era preciso narrar. Porque cada segundo foi contado pelo coração da torcida. O grito saiu uníssono, os aplausos estremeceram a noite, e a emoção não precisava de palavras.
O Teguim de Lagamar, humilde, discreto, do tamanho da sua cidade e do tamanho do mundo, carregou toda a pressão e toda a esperança. Ele que se prepara, se sacrifica, se priva, abre mão de prazeres que lhe tirariam dias e horas, tudo para conquistar o mundo em apenas 8 segundos. E, no instante decisivo, fez o que só os grandes sabem fazer: não cedeu, não vacilou. Foi gigante.
Na nota final, a consagração. O troféu não era apenas dele. Era de Lagamar. Era da Festa do Fazendeiro. Era da terra que, pela primeira vez, viu seu filho se tornar campeão diante do próprio povo.
Sim, eu, Flávio, emocionado digito do âmago de minha alma este singelo texto, mas o roteiro da vida, da trajetória de Marlus Vinícius foi escrito por mãos bem mais eternas e poderosas.





