Nessa terça-feira (2), um juiz federal dos Estados Unidos decidiu que o Google não será obrigado a vender seu navegador Chrome ou o sistema Android, mas determinou que a empresa deverá compartilhar determinados dados de pesquisa com concorrentes qualificados, em um dos maiores processos antitruste da história do país.
Decisão evita desmembramento da empresa
O juiz Amit Mehta, do Tribunal Distrital dos EUA, rejeitou a possibilidade de venda do Chrome ou do Android, considerada a medida mais extrema no caso. A decisão, porém, impôs restrições ao Google, incluindo a proibição de contratos de exclusividade para distribuição de serviços como Chrome, Busca, Google Assistant e o aplicativo Gemini.
Esses acordos já garantiram bilhões de dólares à empresa, além de reforçar sua posição de dominância no mercado. O tribunal aceitou parcialmente propostas apresentadas pelo Google, mas manteve a obrigação de fornecer dados a rivais para incentivar a concorrência.
Impacto da inteligência artificial
Em seu parecer, Mehta destacou que o avanço de ferramentas de inteligência artificial mudou o rumo do processo. O magistrado afirmou que parte do desafio é evitar que o domínio do Google em buscas online seja transferido para o setor de IA generativa.
“O Google não será obrigado a alienar o Chrome; nem o tribunal incluirá uma alienação contingente do sistema operacional Android no julgamento final”, afirmou o documento.
Reação do Google
Em comunicado, o Google considerou que a decisão mostra como a indústria de tecnologia mudou com a IA, ressaltando que os usuários agora têm mais formas de acessar informações. A empresa, porém, expressou preocupação com os efeitos da exigência de compartilhar dados de pesquisa, alegando riscos à privacidade dos usuários.
“O Tribunal impôs limites à forma como distribuímos os serviços do Google e exigirá que compartilhemos dados de busca com concorrentes. Estamos preocupados com o impacto dessas exigências em nossos usuários e em sua privacidade, e estamos analisando a decisão com atenção”, declarou a companhia.
Contexto do processo antitruste
Em decisão anterior, Mehta já havia classificado o Google como monopolista no setor de buscas. Durante a fase de discussão dos “remédios”, o Departamento de Justiça defendeu restrições mais severas, enquanto o Google alegou que isso prejudicaria consumidores e a economia dos EUA.
Parisa Tabriz, líder do Chrome, testemunhou que a venda do navegador poderia torná-lo “inseguro e obsoleto”.
Exclusividade em dispositivos
O Google foi acusado de usar contratos exclusivos com fabricantes, como a Apple, para manter sua ferramenta como buscador padrão em dispositivos. Em 2020, segundo o tribunal, 95% das buscas móveis nos EUA passaram pela plataforma.
Com a nova decisão, o Google não poderá condicionar a instalação de seus serviços — como Busca, Chrome, Assistant ou Gemini — ao licenciamento da Play Store. Ainda assim, analistas acreditam que muitos fabricantes seguirão oferecendo esses serviços pela popularidade junto ao público.
Parcerias em risco
O Google ainda poderá pagar parceiros para incluir seus serviços. A Apple, por exemplo, recebe bilhões de dólares por ano para manter o Google como mecanismo de busca padrão em seus aparelhos. O fim desse contrato representaria perda de receita para ambas as empresas.
Mesmo assim, especialistas avaliam que a decisão favorece tanto o Google quanto a Apple, já que pode abrir espaço para parcerias futuras, como a integração da tecnologia Gemini à Siri.
Concorrência em ascensão
O resultado é considerado uma vitória parcial para o Google, mas especialistas apontam que a empresa terá de trabalhar mais para conquistar usuários, em meio à concorrência crescente de empresas como OpenAI e Perplexity.
“Tudo vai depender de quem entrega a melhor solução para a interação das pessoas com a tecnologia e a IA daqui para frente”, avaliou Robert Siegel, professor da Escola de Negócios de Stanford.





