Forças Armadas reforçam parceria com EUA diante da aproximação de China e Rússia

Na última semana, as Forças Armadas brasileiras buscaram garantias de que o aumento da tensão entre Brasil e Estados Unidos não afetará a aliança militar mantida entre os dois países, nem comprometerá os acordos e parcerias já firmados. O movimento ocorre em meio à crescente aproximação de representantes das indústrias de defesa da China e […]

Foto: Exército

Na última semana, as Forças Armadas brasileiras buscaram garantias de que o aumento da tensão entre Brasil e Estados Unidos não afetará a aliança militar mantida entre os dois países, nem comprometerá os acordos e parcerias já firmados. O movimento ocorre em meio à crescente aproximação de representantes das indústrias de defesa da China e da Rússia com autoridades militares brasileiras, aproveitando o distanciamento entre Brasília e Washington.

Compras em andamento e risco de suspensão

O Exército brasileiro mantém contratos ativos com os Estados Unidos para aquisição de 12 helicópteros Black Hawk, avaliados em US$ 451 milhões, e 222 mísseis Javelin, orçados em US$ 74 milhões. As transações são conduzidas por meio do programa norte-americano Foreign Military Sales, que permite vendas diretas entre governos e isenta as negociações de tarifas.

Outro ponto de atenção envolve a produção dos caças Gripen, modelo já utilizado pelo Brasil e que será também adotado pela Colômbia. A fabricação será feita em território brasileiro, mas cerca de 30% dos componentes das aeronaves são de origem americana. Militares brasileiros consideram esse dado estratégico e identificam riscos em caso de rompimento com os Estados Unidos.

Há receio de que um eventual retorno de Donald Trump à Presidência possa levar à suspensão de contratos, o que afetaria diretamente o planejamento das Forças Armadas, em um momento de limitações orçamentárias.

Cooperação militar ativa

O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos no campo militar também inclui treinamentos conjuntos. Desde 2021, os dois países participam do programa Combined Operation and Rotation Exercise (CORE). A próxima edição está marcada para 2025, no sertão de Pernambuco, e contará com cerca de 200 militares brasileiros e 150 norte-americanos.

Mesmo sem avanços formais nas tratativas diplomáticas entre os governos, os militares brasileiros mantêm atuação direta com o Pentágono. Cada uma das três Forças possui representação em Washington, de onde buscam acompanhar a posição dos Estados Unidos em relação às parcerias em curso.

Segundo avaliação de integrantes das Forças Armadas, até o momento os sinais emitidos pelos norte-americanos têm sido positivos, indicando que não há intenção de romper os acordos existentes. Ainda assim, o clima de tensão preocupa.

Assédio internacional e desconforto nos quartéis

Militares brasileiros veem com preocupação o aumento da presença de representantes chineses e russos em negociações com a área de defesa. O movimento é interpretado como reflexo de uma política externa brasileira considerada mais alinhada ao eixo China-Rússia, incentivada por nomes próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os assessores citados por militares estão Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e Celso Amorim (assessor especial da Presidência para assuntos internacionais). Os motivos atribuídos à influência desses auxiliares variam: proximidade da China com a Bahia, base eleitoral de Costa; impacto positivo na imagem de Lula após confrontos verbais com Trump, no caso de Palmeira; e, no caso de Amorim, o que classificam como um sentimento antiamericano que teria origem histórica no Itamaraty.

Setores das Forças Armadas alertam que qualquer reorientação na política de cooperação militar, trocando o eixo tradicional ocidental por uma aproximação com potências orientais, não pode ser feita de forma rápida nem sem ampla consulta às próprias instituições militares.

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