Thais Bonatti foi atropelada enquanto ia para o trabalho; juiz aposentado foi solto após pagar fiança de R$ 40 mil e pode responder por homicídio.
A ciclista Thais Bonatti, de 30 anos, morreu na madrugada deste sábado (27), dois dias após ser atropelada por uma caminhonete conduzida pelo juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, de 61 anos, em Araçatuba, interior de São Paulo.
O atropelamento aconteceu na manhã de quinta-feira, quando a vítima pedalava rumo ao trabalho por volta das 11h, nas proximidades de um ponto de carga de supermercado na Avenida Waldemar Alves, no bairro Jardim Presidente. Segundo a Polícia Civil, o juiz apresentava sinais claros de embriaguez, como fala desconexa, falta de coordenação motora e forte odor etílico.
Testemunhas e imagens de câmera confirmaram que, no momento em que o veículo estava parado, uma mulher seminua teria tentado sentar no colo do motorista. Nesse instante, ele acelerou repentinamente a caminhonete e atingiu Thais Bonatti, que estava próxima à traseira do veículo.
A vítima foi socorrida em estado grave e levada à Santa Casa de Araçatuba, onde passou por duas cirurgias devido a traumatismo craniano e fratura na bacia. Apesar dos esforços da equipe médica, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu às 1h27 da madrugada de sábado.
O juiz foi preso em flagrante por lesão corporal culposa. A prisão foi convertida em preventiva, mas ele foi liberado no dia seguinte após o pagamento de fiança no valor de R$ 40 mil. Com a morte da ciclista, o caso deve ser reclassificado como homicídio culposo ou até mesmo dolo eventual, já que ele dirigia sob efeito de álcool.
Dados do Portal da Transparência do Tribunal de Justiça de São Paulo mostram que o magistrado aposentado recebeu rendimento líquido médio de cerca de R$ 130 mil por mês nos primeiros seis meses deste ano, o que gerou revolta nas redes sociais diante da fiança considerada baixa e da liberdade rápida.
A família da vítima divulgou uma nota pública demonstrando indignação. “Enquanto ele dormia em seu lar, eu estava escolhendo o caixão da minha irmã”, desabafou uma das irmãs de Thais.
O caso segue sendo investigado e deve ter novos desdobramentos com base nas provas colhidas e na reclassificação da acusação. A defesa do ex-magistrado ainda não se manifestou.





