O jornalista e biólogo Eli Vieira, de Lagamar (MG), passou a ser alvo de um pedido de investigação apresentado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido partiu da também jornalista e pesquisadora Letícia Sallorenzo, após publicação da série de reportagens “Vaza Toga”, assinada por Eli Vieira e David Ágape.
As reportagens revelaram bastidores do gabinete de Moraes no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrando, entre outros pontos, como auxiliares do ministro atuavam em investigações contra críticos e opositores nas redes sociais. As matérias também mencionaram a colaboração de Letícia Sallorenzo com o TSE no suposto combate à desinformação — o que teria motivado a reação da pesquisadora.

Na petição enviada a Moraes, Sallorenzo pediu que os jornalistas fossem investigados por crimes como calúnia e organização criminosa, alegando que as publicações fomentaram hostilidades contra ela. O ministro encaminhou o pedido, em outubro, à Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora deve decidir se há elementos para abrir uma investigação formal ou se arquiva o caso.
De Lagamar para o mundo
Eli nasceu em Patos de Minas devido a falta de condições hospitalares em Lagamar. Apesar de hoje se visto como um dos defensores dos interesses da direita brasileira e se apresentar como voz em defesa da liberdade de expressão, Eli Vieira ganhou notoriedade nacional anos atrás ao questionar publicamente uma tese do pastor Silas Malafaia sobre genética e orientação sexual — episódio que viralizou e marcou sua presença no debate público brasileiro.
Eli Vieira e David Ágape afirmam que estão sendo vítimas de assédio judicial e de uma tentativa de criminalizar o jornalismo investigativo. Segundo eles, a ação busca intimidar a imprensa e impedir novas publicações sobre os bastidores do Judiciário.
O caso foi remetido ao gabinete de Alexandre de Moraes porque a pesquisadora solicitou que ele fosse incluído nos inquéritos das fake news e das milícias digitais, os mesmos que apuram supostas tentativas de “abolição do Estado Democrático de Direito”. Para os jornalistas, trata-se de mais um episódio que evidencia o uso político desses inquéritos e a fragilização das garantias à liberdade de imprensa.





