EUA impõem sanções ao presidente da Colômbia

Departamento do Tesouro inclui Petro, esposa, filho e ministro do Interior colombiano em lista de sanções econômicas
Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez

Nesta sexta-feira (24), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a inclusão do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de sua esposa, de seu filho e do ministro do Interior colombiano na Lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). A medida impõe sanções econômicas aos citados.

Sanções econômicas e restrições

Com a decisão, cidadãos e empresas norte-americanas estão proibidos de realizar transações financeiras ou comerciais com os nomes incluídos na lista. As medidas seguem o mesmo padrão aplicado a autoridades estrangeiras consideradas envolvidas em atividades contrárias aos interesses dos Estados Unidos.

Declaração de Petro após sanção

Em publicação no X, Gustavo Petro afirmou que a sanção era resultado de uma ameaça feita anteriormente pelo senador republicano Bernie Moreno, de Ohio.

“A ameaça de Bernie Moreno se cumpriu: eu, meus filhos e minha esposa fomos incluídos na lista da OFAC. Meu advogado de defesa será Dany Kovalik, dos Estados Unidos”, escreveu Petro.

O presidente colombiano também reagiu de forma crítica à decisão americana.

“Lutar contra o narcotráfico durante décadas, e com eficácia, me trouxe esta medida por parte do governo da mesma sociedade que tanto ajudamos a conter o consumo de cocaína. Um verdadeiro paradoxo — mas nem um passo atrás, e jamais de joelhos”, declarou.

Antecedentes e papel de Bernie Moreno

Dois dias antes da sanção, o senador Bernie Moreno havia declarado que Donald Trump imporia medidas contra Petro, sem, no entanto, aplicar tarifas à Colômbia. Moreno é uma das vozes mais críticas do governo colombiano no Senado dos EUA.

Casos anteriores de sanções na região

Entre setembro de 2024 e janeiro de 2025, a OFAC aplicou sanções a 45 autoridades venezuelanas por envolvimento em fraudes eleitorais e repressão política.
Em 1º de junho deste ano, mais de 150 venezuelanos e três entidades do país foram incluídos na mesma lista, entre eles o ditador Nicolás Maduro, sua esposa, o filho, a vice-presidente Delcy Rodríguez e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

Relações diplomáticas em crise

As relações entre Colômbia e Estados Unidos atravessam o período mais tenso da história recente e se deterioraram desde a posse de Donald Trump, em janeiro.

Na semana passada, Trump chamou Petro de “líder do tráfico ilegal de drogas” e advertiu que, caso a Colômbia não fechasse as rotas do narcotráfico, ele próprio tomaria medidas diretas.

“É melhor fechar esses campos de extermínio imediatamente, ou os Estados Unidos os fecharão, e isso não será feito de forma agradável”, afirmou Trump.

Em resposta, Petro publicou no X, no domingo (19), que o presidente americano era “rude” e “ignorante”.

Visto revogado e novos atritos

No mês passado, Washington revogou o visto de Gustavo Petro após sua participação em uma manifestação pró-Palestina em Nova York, onde ele pediu que soldados americanos desobedecessem ordens de Trump.

Crítico da política externa dos Estados Unidos, o presidente colombiano também já condenou ações militares americanas no mar do Caribe, alegando que bombardeios contra pequenas embarcações violam “o princípio universal da proporcionalidade da força”.

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