Nesta quarta-feira (3), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que vê com preocupação as declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que defendeu anistia a envolvidos em tentativa de golpe de Estado e disse não confiar nas instituições e na Justiça.
Declarações do ministro
Em entrevista à RedeTV!, Haddad destacou que considera grave ouvir esse tipo de posicionamento de um chefe de governo estadual.
“Quando você vê o governador do estado de São Paulo dizer que não confia nas instituições, não confia na Justiça, que tem que perdoar quem tentou dar golpe de Estado. Quando você vê uma mobilização de partidos ultraconservadores no Congresso, você fica preocupado”, declarou.
O ministro também comentou a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia dito que “Tarcísio não existe sem Bolsonaro”. Segundo Haddad, a afirmação não teve caráter ofensivo, mas “foi para constatar um fato”.
Articulação em Brasília
Tarcísio esteve em Brasília nesta semana para intensificar negociações pela anistia no Congresso. A pressão da oposição é para que o texto seja apreciado logo após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-presidente é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter atuado numa tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Na capital, o governador se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), na tarde desta quarta-feira. O encontro buscou avançar em um formato de projeto que abranja não só investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas também os réus da ação sobre o plano de golpe.
Resistências ao projeto
A proposta de uma anistia ampla enfrenta resistência no STF e também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Na última sexta-feira (29), Tarcísio declarou que, caso fosse eleito presidente, seu primeiro ato seria conceder indulto a Jair Bolsonaro.
Relação com Bolsonaro
Para Haddad, a atuação política de Tarcísio está diretamente ligada ao ex-presidente. “Ele foi eleito governador por aquela pessoa [Bolsonaro]”, afirmou o ministro, ressaltando a dependência da liderança bolsonarista.





